segunda-feira, novembro 03, 2008

Se quiser se distrair, vá ao bar e ligue a televisão

Se a noite é uma criança, os bares deveriam fechar às 18h, porque lugar de criança não é em bar. Bar é um lugar sagrado. Principalmente em uma sexta-feira de tempo bom. Cervejas, petiscos, mulheres, mendigos, prostitutas, 3 televisões e um jogo de futebol à vista. Menos a conta, que pode ser pendurada. Dói ver um jogo desses. A tv fica na parte de cima de um pilar. Ao fim da partida a nuca reclama do jogo.

Com 30 minutos de jogo os ânimos começam a se alterar. "Marquinho! Desce uma latinha de Antártica bem gelada!". Os que estão em pé, na geral, já não prestam muita atenção no jogo. Começam os palpites, as sugestões para os jogadores. E não tem problema se eles não podem escutar. Também não escutariam se pudessem. Fim do primeiro tempo e o jogo está truncado. Zero a zero. O bar é que continua aberto. E assim permanecerá até que o alvará de soltura das excelentíssimas permita.

Segundo tempo. A torcida ainda chega ao templo. São torcedores, mas nas horas vagas são prefeitos, presidentes, advogados, juízes, poetas, profetas. No bar você pode ser qualquer um. O espaço sagrado te dá espaço para tudo isso. Diploma? Eles são formados na vida, no bar. Amigos desde pequenos, mas ninguém sabe o nome de ninguém. É um tal de Zé, Alemão, Negão, Barba, Barriga, Maluco, Tim Maia, Chico, Irmão... E assim eles se entendem.

Os olhos vidrados no vidro do monitor. Lá do canto vem o recado. Milissegundos de silêncio. Um silêncio sábio de quem sabe o que se segue. Depois da calmaria vem a tempestade: GOOOOOLLLL!!!! Gritos de alegria! Agora sim! Sobra abraços até pro secador. E deveria ter vários. Em um jogo como esse não houve chuva.

Os secadores estavam fazendo seu trabalho. Sem chuva o time não desenvolve bem. Empate. Os mesmos palavrões que antes eram usados como forma de elogio, de incentivo, agora são usados para denegrir.

Uma vitória não é completa se não tiver aventura, emoção. Eis que surge o jogador que vai levando a bola com classe e fuzila o arqueiro. E vem a chuva. Salgadinhos, cerveja, tudo vai pro ar. A festa está completa. Logo chegam os cantores e o hino é entoado. Todos cantam, batem palma.

Curta, mas intensa, a festa termina quando termina o jogo. 90 minutos de jogo e 5 minutos para pagar a conta e terminar de comemorar no lar.

"Marquinho! Me trás mais um guaraná, porque eu to indo pra casa!"

Artur de Bem

---

Artur de Bem é um sambista de fato, jornalista, assessor de imprensa de mais de 50 bandas de pagode (mentira, são sambistas da melhor qualidade, isso foi apenas uma brincadeira) e apreciador corriqueiro de futebol. Conheça mais sobre o autor da crônica clicando no nome dele ou na lista ao lado. Esta crônica me foi enviada por ele e achei muito boa.

Este blog também absorve materiais enviados por amigos, inimigos, conhecidos, desconhecidos e anônimos.

3 comentários:

Artur de Bem disse...

Opaaaaaaaaaaaa!!!!!!

Muito obrigado Jorge!!!
Me sinto honrado!!!

Beijos!!!

Vandrei Bion disse...

Dolinho ou Jorge Junior, me liga nesta terça-feira. Preciso falar contigo. Acho que pode ser uma boa oportunidade pra ti. Ah, e não esqueça de colocar o link do meu blog no teu. Farei o mesmo.

Um abraço

Vandrei Bion - 99450045

CLEBER LATRÔNICO FELIPE disse...

Ótimo texto, Parabéns Artur. E parabéns Jorge por veiculá-lo.(Sempre quis usar essa palavra)