quarta-feira, julho 28, 2010

Entrevista com o "descobridor" do goleiro Renan

Entrevistei ontem, via MSN, o preparador de goleiros Marcos Cardoso, o Marcão. Foi ele quem bancou o goleiro do Avaí após ele ser afastado por indisciplina. A história desse trabalho de três anos rendeu. Rendeu uma Seleção Brasileira para o garoto.

Marcão é uma figura muito gente boa, tanto que deve ser entrevistado novamente pelo blog. Siga-o no Twitter!

O homem que segurou Renan no Avaí: "comprei esta briga por acreditar no potencial dele"

Se o ditado diz que "por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher", no caso do arqueiro Renan, convocado para a Seleção Brasileira, pode-se dizer que por trás da convocação há um preparador de goleiro. O nome dele, que o camisa 1 do Avaí fez questão de citar em coletiva, é Marcos Cardoso, o Marcão, que hoje trabalha no AL Lakhwiya Sport Club, do Catar.

Em entrevista ao clicEsportes, Marcão falou sobre o seu pupilo e como evitou que o atleta fosse dispensado do clube após um ato de indisciplina. O preparador de goleiros também trabalhou com Alex, que está defendendo a Seleção Brasileira Sub-19.

PapoFC: O Renan reconheceu que você apostou nele. Como você o preparou para ele chegar na Seleção Brasileira?
Marcos Cardoso: Preparei o Renan para a categoria profissional, mas sempre sonhando em uma seleção, até mesmo de base. Nós conversamos muito, mas foi uma surpresa na seleção principal. Fico contente e feliz por ele reconhecer o meu trabalho e ter acreditado.

PapoFC: Já conseguiu falar com o Renan?
Marcos Cardoso: Temos mantido contato, mas devido a esta correria ainda não. Deixa baixar esta euforia para podermos conversar melhor. Primeiro é curtir com os familiares este momento dele.


PapoFC: Qual qualidade do Renan o diferencia?
Marcos Cardoso: A humildade. Jamais esquecendo sua existência e a dedicação no que faz. Ter trabalhado com o Renan por três anos foi muito gratificante, pois o acompanho desde a categoria juvenil, quando tive a primeira conversa com ele.

PapoFC: Por que ele foi dispensado em 2007? (Renan ficou quatro meses fora do Avaí)
Marcos Cardoso: Foi por um ato de indisciplina que deixamos de lado, como todo atleta faz. Mas em conversa com as pessoas que cuidam de sua carreira, e o Sandro Zunino, diretor da base, tiveram uma reunião e me chamaram pedindo mais uma oportunidade. Eu disse "claro". Ele merecia uma oportunidade e soube que errou. Eu respondi "eu confio em ti, vamos treinar". O Renan não era acreditado que seria hoje o Renan. Eu comprei esta briga por acreditar no potencial dele. Na Copa São Paulo, conversando com o Belmonte, ex-técnico, disse "o Renan vai ser titular e um dos destaques da Copa São Paulo", mesmo cometendo esse ato de indiscplina.

PapoFC: E como foi bancá-lo no clube?
Marcos Cardoso: Conversei antes com o Renan, como sempre, e disse: "minha esposa vai para o hospital ser operada sozinha, voltará para casa sozinha, não verei minha família e vou me dedicar 100% para você. Temos dois caminhos: ou vamos bem na Copa São Paulo e serás valorizado, ou vão me crucificar". Ele respondeu "voltaremos valorizados". O goleiro reserva na época, o Marcos, foi importante nos treinos e nos jogos, sempre motivando o Renan.

PapoFC: Como foi o seu acerto com o time do Catar?
Marcos Cardoso: Foi através do auxiliar do Caior Júnior. Eu tive algumas propostas de clubes do Brasil. Agradecia, mas só sairia para um time maior que o Avaí ou do exterior. Uma vez indo para Ressacada tocou meu telefone e eram dirigentes do clube do Catar. Quando olhei quem estava no banco do ônibus era o Renan (risos). Ele olhou surpreso e me perguntou "tu vai embora?", respondi que sim, que tinha chegado a hora, e ele me desejou sorte e disse que eu merecia.

PapoFC: A questão financeira pesou pra aceitar a proposta?
Marcos Cardoso: Sim. Conversei com o presidente Zunino e ele me perguntou quanto seria o meu salário. Pensou e disse: aceita. A questão financeira pesou muito, mas fico grato ao Avaí. Foi um clube que abriu as portas. Sou muito grato ao Almir Gil, coordenador das categorias de base, e ao ex-técnico do Avaí Belmonte. Foram eles que fizeram o convite para eu trabalhar no Avaí.


PapoFC: Como está sendo a experiência no Catar?
Marcos Cardoso: No Catar temos mais segurança. Podemos deixar o carro ligado, a casa aberta. As leis são severas. Em relação a preço, tudo é mais barato em relação ao Brasil. No futebol não se tem a badaladação de torcedores, cobrança da torcida, mas aqui se tem a melhor estrutura de estádios, centro de treinamento e gramados.

Passei as férias no Brasil. Fui ver Avaí x Vitória e achei o máximo a torcida cobrando. No Catar gostam muito do nosso futebol, tanto que na TV esses dias passou quatro vezes o jogo Avaí x Palmeiras.

Esse material está publicado originalmente no clicEsportes. Saiu um trecho dessa entrevista no DC também.

2 comentários:

Cláudia disse...

Parabéns por esta bela reportagem.
bjos mamãe

Felipe disse...

Já visse que teu caminho de sucesso SEMPRE ta ligado ao Avai né...
Agora só falta tu assumir ele como time do coração ;p
ahaahaahaha

Amplexosss