terça-feira, agosto 10, 2010

Papo com Mauro: Mano chegou lá!


Por Mauro Antônio Pandolfi

Mano e o sonho. Mano e as táticas. Mano e a história. Mano e os títulos. Mano e a educação. Mano e os empresários. Mano e a convocação. Mano e os privilégios da Globo. Tudo já foi dito sobre a escolha de Mano Menezes como treinador da seleção brasileira (em minúscula mesmo, do tamanho do futebol na Copa). Apesar do meu delay, quero dar uns pitacos. Gosto de Mano Menezes. Sou "quase um manista". Mano é rápido, observador e não tem ranço. Não fica refém de jogador ou do grupo. Sua virtude principal é, também, seu defeito. Mano adora um bonde. E, geralmente o torna fundamental.

O time é definido. Tem o plano de jogo estabelecido. Há pontos de saída de bola, de chegada na frente, cobertura eficaz. A movimentação é organizada e precisa. Os lados se movem uniformemente. Um vai, outro fica. As triangulações são amplas e simétricas. Percebe-se o posicionamentos dos jogadores nas cobranças de faltas e escanteios. Quem bate, quem fica no primeiro pau, no segundo, quem disputa com o goleiro e no rebote. O mesmo ocorre na área defensiva. Há definido o marcador do mais perigoso, a sobra e o contra-ataque. Nota-se também quem é o líder técnico (o que 'pisa' na bola), o tático (quem orienta o posicionamento), o velocista e o centroavante. O time pode ser veloz ou lento dependendo da ação do adversário. Tão insinuante que encaixota o oponente. Tão bem armado que parece jogar mais do que pode. Isto é um time de Mano Menezes. Lembrem-se do Grêmio, do Corinthians. Até o XV de Campo Bom era assim. Alguém lembra dos jogos contra o Santo André na Copa do Brasil? Pois, é! Mano é um hábil artesão do futebol.

A virtude e o defeito de Mano. Poucos tiram tanto de um bonde como Mano. Lúcio era um lateral bisonho no Grêmio. Mau marcador, péssimo no apoio. Num Grenal, Mano o inventou no meio-campo. Insinuante, Lúcio foi o melhor em campo, o Grêmio venceu, estabilizou a equipe, e tempos depois, foi parar no Hertha Berlim. Virou reserva, lesionou-se e já está de volta ao Grêmio. Infelizmente, quem retornou foi o lateral medíocre. Com o tosco Alessandro foi a mesma coisa, tanto no Grêmio como no Corinthians. Mano é inventivo como um professor Pardal. Acha soluções onde não se espera.

"O Brasil tem de voltar a ser protagonista". Foi a frase do Mano no Bem, Amigos. "Deve dar as cartas do jogo. Chega de jogar no erro do adversário". É bom ouvir isto. É bom rever o Brasil dando as cartas, propondo o jogo, atacando, pressionando. Mas, às vezes, o adversário, é melhor. Na final da Libertadores, contra o Boca Juniors, Mano quis o Grêmio protagonista, dando as cartas, impondo jogo. Esqueceu de Riquelme. Não marcou Riquelme. Riquelme jogou no erro do Grêmio e o Boca comemorou o título. Eu atacaria com fúria a Espanha, campeã do Mundo. Porém, teria as minhas cautelas contra a Alemanha. E, vocês? (se alguém ler este texto, responda-me!).

Algumas coisas chamaram-me atenção na convocação. Mano foi tático, político, preciso. Convocou um goleiro negro, um goleiro de um clube menor, um reserva de seu ex-clube. Mostrou ousadia e revelou não ser refém de grupo, ao deixar de fora Elias, Dentinho e Roberto Carlos. Aliás, uma outra mudança na seleção: saiu o coerente e entrou o independente. E, a ignorância dos medalhões da imprensa esportiva foi outro destaque? Os 'mestres' Fernando Calazans, Renato Maurício Prado, Milton Neves, Juca Kfouri, e outros menores, perguntavam atônitos: Quem é Éderson? Não conheciam, também, David Luís e o ótimo Renam. Será que os jornalistas esportivos não assistem futebol quando seus times não jogam? Ou, será que para os 'mitos' consagrados que tudo sabem, tudo entendem, a informação é um mero detalhe no jornalismo?

Mano já enfrenta polêmicas. Entre a gravação para o programa do Jô e o Bem, amigos não deu entrevistas aos outros jornalistas. É! A seleção brasileira tem seus donos.E, não é a gente! Outro ponto tocado por vários blogueiros, a 'suposta' (palavrinha em voga na imprensa. Vou fazer uso dela!) ligação com empresários. Todos os jogadores tem empresários. Até os guris de 15, 16 já tem. Poxa! Será que todos que lidam com a seleção brasileira são canalhas, espertalhões, pilantras? Torço para Mano Menezes não ser assim.

Leia também o primeiro texto do Papo com Mauro

Crédito de foto
Foto Divulgação CBF

Um comentário:

Dinda disse...

O texto está excelente. Parabéns. Só não gostei de teres chamado o nosso AVAÍ de "um time menor". Se fosse menor não estaria na Série B como o teu Figeira. Bjs tua Dinda