sexta-feira, outubro 22, 2010

O Avaí está vivo

O momento do jogo era o intervalo. A torcida vaiou o time que saiu cabisbaixo na primeira etapa. As paredes de tijolo da Ressacada não nos deixaram ouvir e ver o que aconteceu durante os 15 minutos que separaram a apatia da primeira etapa e o ressurgimento do Avaí, aquele time do Sul da Ilha que faz coisa.

Mas o que teria acontecido? Você sabe? Jogador de futebol, sozinho, pode mudar uma partida, só depende da técnica, habilidade e genialidade. Um técnico, como Vagner Benazzi, que leva os boleiros no papo, na conversa, esse sim, muda um jogo sem entrar em campo.

O intervalo foi, abusando do clichê, um divisor de águas para o Leão. Tudo aquilo que o torcedor espera ver de um time, principalmente quando se trata de Avaí, ele viu. Raça, vontade, entrega, força, suor da cor azul. Na arquibancada, aquele mesmo que ficou de lado durante o ano, que viu o preço do ingresso inflacionar mais do que o salário, se fez presente para mostrar aquilo que estava escondido: o seu amor pelo time.

Ontem, foram dois personagens principais. Coincidentemente, os dois não entraram em campo. Parabéns, torcedor avaiano. Como diz o narrador Luiz Alano: "Este é o teu time". Parabéns, Vagner Benazzi. Ninguém sabe o que você falou no intervalo, mas você, mesmo que por um dia, deu uma nova vida do Avaí.

* Esta é a íntegra do texto que está na edição desta sexta no jornal Hora de Santa Catarina

2 comentários:

Claúdia disse...

Realmente este Avai faz coisa quando ninguem mais esperava ele conseguiu dar esta alegria para a torcida.

Alexandre FC Mendonça disse...

Ouso dizer que o Avaí começou ganhando o jogo! Ganhando?! Sim, ganhando ainda no ônibus, quando passou pela torcida apaixonada, uns com faixas, cartazes e bandeiras, outros com fogos, sinalizadores, tambores e cornetas, mas todos com sangue nas veias, pulmões na garganta e lágrimas nos olhos. Ali naquele momento, a Ressacada voltou a pulsar. Tal como um desfibrilador, cada grito, cada espocar de um foguete era como um choque no coração do Leão. Aquele tiro que tomamos no primeiro minuto parecia ter nos atingido em cheio, tanto que sangramos por cinqüenta minutos. O Leão por um momento havia esquecido que vestia um escudo azul. No intervalo, aquelas ações da torcida começaram a fazer efeito. Os jogadores viram que deviam fazer mais e melhor. E, fizeram. Na primeira estocada, o inimigo acusou o golpe e o Coração Azurra aumentou o ritmo das batidas. Veio o segundo seguido de êxtase e o terceiro sem adjetivos. O Leão respirou o ar que saia dos pulmões da torcida, como numa respiração boca a boca. A batalha estava de novo nas patas do Rei da Ilha, mas longe de terminada. Das arquibancadas eram fornecidos o oxigênio o sangue e o soro, do lado do gramado, gandulas, jogadores reservas, o técnico e demais integrantes do banco eram os auxiliares de enfermagem, cada um cumprindo seu papel. Do lado de fora, alguns abutres até sobrevoavam fazendo questão de lembrar que o Leão costuma tomar um tiro no final das batalhas, repetindo aquilo como um mantra, na esperança que essa desgraça se repetisse. Encerrada a batalha, o animal estrangeiro estava definitivamente abatido em terras sagradas e o Leão, Rei da Ilha, ferido, mas vitorioso, desabou ao chão num gesto que demonstrava muito mais do que imaginamos. Ao fim daquela luta, gramado ao qual os Jogadores se entregaram exaustos, transfigurou-se de campo de batalha em braços da torcida. Cada torcedor estendeu seus braços e amparou o Leão exausto, mas não abatido; ferido, mas não morto. O que vem depois, só interessa ao depois, hoje o coração pulsa com mais vigor, com mais sangue e com mais oxigênio. A ferida ainda não está curada, mas o remédio e o tratamento não podem parar.