Rogério foi meu professor no mundo do futebol

Em pé, da esquerda para a direita: Deodato, Joceli, Nelinho, Ravales, Valter, Gilberto e Moenda. Agachados: mascote, Reginaldo, Rogério Ávila, Bo, César e Torquato.

Rogério Ávila. Os mais antigos torcedores avaianos certamente se lembram dele. Era um volante raçudo, talvez um pouco malino, mas sempre jogou com muita raça. Foi um dos jogadores que mais vestiu a camisa do Avaí. Atuou pelo leão em 365 jogos, de 1963 até 1975. Jogou também no Grêmio e no Marcílio Dias, quase foi para a Portuguesa. Digo isso porque fui um dos seus alunos na escolinha que ele mantinha no Santa Mônica, no campo de areia da Acojar. Bateu saudade.

Vi essa foto no blog do Polidoro Jr e senti a nostalgia do dia 30 de junho, um dia após o meu aniversário, de 94, dia que meu pai pegou o dinheiro que minha vó me deu e me levou para começar a minha carreira no futebol. Era época de Copa do Mundo, um amigo meu já treinava lá. Acho que foi a única vez que meu pai me viu jogar, acho. Cheguei sem saber que posição ia jogar. Rogério e meu pai conversaram, daí o meu pai - Vai pra lateral-direita. Se forem substituir alguém não vai ser tu.
Num dos meus poucos lances no jogo, já que fiquei travado e só pensando em marcar, acertei um chute no canto esquerdo do goleiro, rasteirinho, uma bomba, que o goleiro defendeu e colocou pra escanteio. Nesse lance acho que o meu pai achou que faria fortuna com o filho jogador.

Não sei ao certo quanto tempo aprendi com ele, já que sai por um período e retornei depois. Fui capitão do time dos médios, já como zagueiro, fazendo gol de cabeça em escanteios nos jogos de sábado. Sábado era sempre jogo, nada de treino. Aliás, o treino era de profissional. 100% fisico. Nem com a raça pedindo, mesmo pagando mensalidade, ele dava refresco. Aí, lá pelas 11h ele liberava a bola pro chute a gol.

Da escolinha alguns jogadores poderiam estar em grandes clubes hoje, mas a maioria não aguentou o tranco de ficar longe de casa. Grêmio e Vitória são alguns dos clubes que o Rogério encaminhou seus pupilos. Nunca entrei nessa lista, mas os outros ensinamentos dele me valeram mais. Não bebe, não fuma e não se droga. Hoje eu bebo, mas muitos ex-colegas foram fundo nas drogas e um foi morto por causa disso (segunda matéria).

Na foto, dia de clássico no Adolfo Konder. Rogério era o capitão do Avaí. Foi expulso quatro vezes em clássicos.

Eu soube da morte dele muito depois de ter acontecido. Foi via coluna do Roberto Alves. Senti uma tristeza tão grande, principalmente por não ter externado tudo que ele me ensinou. Hoje diria muito mais, já que os ensinamentos dele eu quero passar para o meu filho.

Crédito de Foto
Foto 1 de Gilberto Silveira
Foto 2 do blog do Roberto Alves