Foi o segundo título do Avaí em 2009

Em pé: Jerônimo Rubim, Ademir Arnon, Roger Bittencourt, Jorge Jr., Rafael Xavier e Rafael Marinho.
Agachados: Cleber Latrônico, Carmelo Cañas, Diego Passos, Paulo Scarduelli e Fábio Lima


O time formado pelos alunos de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, em parceria com o Avaí Futebol Clube, conquistou o título do II Torneio de Futebol Suiço da Associação Catarinense de Imprensa. Um sábado histórico, em vários sentidos. Há muito tempo eu não sentia o gosto de ser campeão de um campeonato futebolístico. É sensacional. Junto de amigos, parceria tanto no pessoal como no profissional, só reafirma a certeza nas escolhas que eu fiz pra minha vida.


Outro fato histórico? Foi o segundo título do Avaí em 2009. O primeiro foi o Catarinense.

Eu já tinha jogado com a camisa do Avaí. Época das boas peladas no P&K. Mas foi a primeira vez que ela veio diretamente do clube. Ostentei a número cinco, de Zidane e Marcus Winícius. Até lembrei do Ferdinando, mas não tenho boas referências.

Foram cinco jogos e nenhum gol, no tempo normal, anotado. Guardei a surpresa pra decisão por pênalti. Mas isso eu falo depois. Ainda no caminho para a ABO, na SC-401, palco do evento, o Paulo Scarduelli, coordenador maluco do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, falava que não teria campeonato. Os campos estavam detonados, muita chuva, lama e afins. Baixo astral no carro. Nos restaria bater bola no Playball, já que o horário do Boleiros é sagrado.

Chegando lá, além de nós, o pessoal de Criciúma e Blumenau também estava chegando. Como mandar embora o pessoal que veio de longe só pra jogar? Novo congresso técnico e a bola iria rolar. Estávamos escalados para o primeiro jogo.

Estácio/Avaí 3 x 1 Assessores de Imprensa

Campo estava enlameado, pesado, mas dava pra jogar legal. Saímos na frente com um gol contra. Empataram com outro gol contra, só que do Cleber. A vitória veio com um gol do Carmelo e outro do Jerônimo, Paulinho ou Fábio. Não me lembro. Largando com três pontos e a confiança aumentando.

Estácio/Avaí 2 x 1 DC/Hora


Jogo de compadres. Boleiros da Bola para os dois lados do campo. A vitória já nos garantia na semifinal. Erramos nisso. Tomamos o gol no primeiro tempo. Desespero. Calma, calma. Vamos virar. Foi um jogão, digno de Boleiros mesmo. Cleber e Carmelo, com gols chorados, na raça, marcaram e nos classificamos.

Estácio/Avaí 1 x 2 Criciúma

Time de jogadores e até do árbitro Nazareno Marcelino. Pegada, falta, porrada, cotovelo, defesas dos goleiros e gols. Perdemos por 2 a 1. Já estávamos classificados, mas como segundo do grupo.

Estácio/Avaí 2 x 0 Blumenau - Semifinal

Não sabíamos como era o time deles. Não vimos. O gramado já estava com muita lama e pouca grama. Chutão pra frente pro Carmelo ou passe no meio e chute. De todos, sem prepotência, foi o jogo mais fácil. Vencemos por 2 a 0.

Estácio/Avaí 1 (2) x 1 (1) Notícias do Dia - Final

Clássico. Gramado totalmente detonado. 80% de lama. No meio a bola não rolava. Tensão. Scarduelli estava fora por suspensão, dois amarelos, e Fábio entrou como titular. No banco estava o nosso Roberto, o baladeiro Diego Passos.

Rolou a bola. Os dois times mortos, cansados, mas querendo levar o título. Nesse jogo tive a chance de arriscar um chute. Passou riscando a trave. A torcida empurra com "Vamo, Vamo Avaê" ou gritos de "Dolinho". Numa final, sério mesmo, não tem como explicar o apoio que vem de fora. É uma obrigação tu se matar pela bola.

Saímos na frente com um gol do zagueiro Rafael Xavier. Subiu mais que a zaga e o goleiro. O artilheiro do campeonato foi o Carmelo junto com o Polidoro Jr e o Nélson, também do Notícias do Dia, com quatro gols. Fizemos o gol e era a hora de se fechar. Bola pro mato, pra frente e pra qualquer lugar.

Estava jogando na sobra da zaga, sozinho. Veio um cruzamento e dei um peixinho. Quase fiz contra. Mas sem isso era gol na certa. Me caguei todo de lama, mas estava tranquilo, já que tomaria banho quente depois.

Escanteio deles, bola no miolo da área, eu no primeiro pau, e o Edu Cavalcanti cabeceou. Me joguei na bola, quase bati na trave, mas por 1 centímetro não tirei a bola do gol. Empate deles. Isso no primeiro tempo.

No segundo tempo foi tensão direto e cansaço ao extremo. Ninguém queria tomar gol. Não deixamos eles criar e desperdiçamos uma com o Fábio ou o Carmelo, não me lembro. Apito final e a decisão vai para os pênaltis, melhor de três cobranças.

Pra gente iria bater o Rafael Xavier, Carmelo e o Cleber. Rafael Marinho estava seguro e fez um campeonato sem falhas. Nenhuma. Times indo pro meio do gramado e o Cleber me pergunta - Queres bater? Tu já é tranquilo por natureza, não deve estar nervoso.
Vou dizer o que? Chamei a responsabilidade. Aproveitamento de 101% nos pênaltis no Boleiros da Bola.

Primeira cobrança foi do Notícias do Dia. O Edu Cavalcanti isolou a bola por cima. Alívio e alegria.

Rafael Xavier foi pra bola. O bicho tem uma porrada na canhota. Mas ele apertou o bolinha até o final e isolou a bola também. Tudo igual. 0 a 0.

Não lembro quem era do time deles, mas bateu bem, goleiro prum lado e bola pro outro. 1 a 0 pra eles.

Chegou a hora. Torcida, amigos, gritando "Dolinho, Dolinho". Sem sorriso, sem expressão, ou como disse o Roger, vice-presidente da ACI - O cara pegou a bola numa mala, não riu, deu dois passos pra trás. Eu pensei "vai perder só pela mala". Me enganei. Foi o melhor pênalti da final.

Confiança é tudo. Botar o mundo nas costas nem sempre é a pior escolha. Pode acreditar. Olhei pro goleiro, pro canto que eu não iria bater, e chutei firme na esquerda. O goleiro ficou no meio do gol, parado, sem reação. O alívio depois disso também é prazeroso pra caralho.

Cobrança do Notícia do Dia. Nélson partiu, bateu no mesmo canto que eu, e o Rafael, lembrando Taffarel contra a Holanda em 98, defendeu. Espalmou pra lama e a alegria veio à tona.

Estava nos pés do artilheiro Carmelo o título. Era ele fazer e correr pro abraço. Lembra do pênalti do Marquinhos contra o Vitória? Igual. Bola passou por baixo da mão do goleiro, uma bomba, e aí foi gritar "É Campeão - Leão ÊO - Uh Avaê" e por aí. Que alegria.

Lama bombando, vamos pro peixinho para a foto. Um, dois, três e vai. De peito na lama. Gritei. Me deu cãimbra na panturrilha esquerda. Scarduelli veio me ajudar. Era uma dor do caralho, muito forte. Maldito peixinho. Tiramos a foto oficial e fomos para o banho.

Banho


Banho...não tinha mais água. Me joguei numa poça, nadei feito o Cielo, e acabei tirando o barro num tanque. O resto da rapaziada foi pra caixa d'agua. A cara do Carmelo na foto diz tudo. Gelaaaaaaaaaada!!

Recebemos a premiação, choppinho gelado e na pressão, mas sem rango. Tinha acabado a comida. Fazer o quê? Beber, né? Medalhas no peito e troféu na mão. Só alegria.


Querem o melhor disso tudo? Minha mulher e meu filho estavam lá pra ver tudo isso. A medalha foi direto pro pescoço do Théo e depois pro da Jana. Tanto que ela só tirou quando chegamos no Angeloni. Esqueceu, diz ela.


Se você leu até aqui, obrigado. Essa é a história de um sábado feliz com a camisa do Avaí.

Foto de Guilherme Padilha