Esse é um post que mexe com quem realmente é Figueirense Futebol Clube. Não é história pra boi dormir, mas algumas constatações do que poderia ter sido feito e o que ainda dá para fazer. Acredite!

Grupo

O Figueirense tenta desde o início do campeonato formar um grupo. Quando parece que formou, que tudo vai dar certo, a coisa desanda. Não falo só de Maicon e Paulo Sérgio, afastados na semana passada. Desde o Pintado, no início do Estadual, não há um grupo no Figueira.

São jogadores, um elenco, mas falta comprometimento um com o outro. Romário não gostava do Edmundo, isso em certo período da carreira, mas jogaram juntos e renderam muito. Edmundo, de novo ele, tinha uma birra com o Michel Bastos. Os dois, junto com os demais do GRUPO, salvaram o Figueirense da Série B em 2005.

Roberto Fernandes tinha formado um grupo, mas um grupo só dele. Uma panela. Alê, Marcelo, Totó e Jairo podem ser considerados desse grupo. Márcio Araújo, por melhor que seja no tratamento pessoal, ainda possui resistências no elenco. Não acredito que o Marcelo - eu gosto do futebol dele, Vinícius Pacheco e Jeovânio estejam 100% com ele.

Clube

Identidade. Eis uma coisa que, vendo de fora, só o Wilson, Jeovânio e Fernandes têm. Por mais que outros sejam atletas da base, que dizem amar o clube, são eles que podem fazer a diferença para se criar um grupo.

Rafael Coelho, Lucas e Edson são crias do Figueira, conhecem tudo no clube, mas ainda falta um algo a mais. Se tivessem 50% do que o Marquinhos dedica ao Avaí, e não estou falando em qualidade técnica, digo de coração, alma, entrega, o rumo do campeonato poderia ser bem mais tranquilo.

Não vejo também um jogador de fora que a torcida identifique. Schwenck poderia ser o Evando alvinegro, mas não é. Não cria polêmica, não conseguiu fazer o torcedor amá-lo ou odiá-lo. É um jogador comum. Tem raça, mas não passa mais do que isso. Tem que ser estrela.

Torcida

Merece elogios por ainda acreditar, pelo menos boa dúzia dela. Mas deve ser criticada, e muito, pelo clima frio e indiferente que cria no estádio. Mais uma vez comparo com o Avaí de 2008. Não deu 10 mil pessoas em jogo com chuva. A maioria só espera jogo "bom" ou fase "boa" para ir. Já foi, e vi várias vezes, mas não é uma massa.

Do nada, até com relação ao escrito acima, lembrei da torcida Águia Cor da Raça. Eles torciam pro time, diferente do que faz a Gaviões Alvinegros e todas as outras torcidas daqui. Somos os maiores, batemos em todo mundo e fechamos o pau. Belo incentivo.

Nunca, e isso é verdade, nessa Série B a torcida, eu digo toda ela, se empenhou para fazer o time subir. São sempre os mesmos apaixonados, loucos, doentes que fazem alguma coisa. Os outros, que são maioria, sentam nas cadeiras e se contentam com o grito mais horroroso dos estádios brasileiros "ôôôô, Figueira êô".

Ganhar

Não ganhou de quem deveria. Foram 22 entre empates e derrotas em casa e fora. Somando aos 51 conquistados até então, sem falar que caso essas vitórias acontecessem o time embalaria e poderia ter outros bons resultados, o Figueirense chegaria aos 73 pontos. Já estaria classificado e com vantagem para ser o campeão da Série B.

Faltam seis jogos, 18 pontos. Ganhando tudo, o que não é impossível, chegaria aos 69. Mas coloca-se pelo menos uma derrota e um empate nessa conta. Dá 13 pontos, chegando aos 64. Torcer contra Ceará e Atlético-GO é obrigação, mas não é o certo.

Mesmo não tendo um grupo, não possuindo uma identificação grande entre jogadores-clube-torcida, é possível acreditar no acesso. Eu acredito. Se perder para o Brasiliense, o que todo alvinegro está temendo no momento, aí sim. Diga adeus e atravesse a rua.

A revolução alvinegra, que começa com muito atraso, começa às 16h10 de sábado, dia 31, e termina dia 28 de novembro, depois do jogo contra o São Caetano fora de casa, assim como o Avaí em 97, com festa no Koxixo's.

Crédito de foto
Foto de Ricardo Duarte