Entrevistei ontem, via MSN, o preparador de goleiros Marcos Cardoso, o Marcão. Foi ele quem bancou o goleiro do Avaí após ele ser afastado por indisciplina. A história desse trabalho de três anos rendeu. Rendeu uma Seleção Brasileira para o garoto.

Marcão é uma figura muito gente boa, tanto que deve ser entrevistado novamente pelo blog. Siga-o no Twitter!

O homem que segurou Renan no Avaí: "comprei esta briga por acreditar no potencial dele"

Se o ditado diz que "por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher", no caso do arqueiro Renan, convocado para a Seleção Brasileira, pode-se dizer que por trás da convocação há um preparador de goleiro. O nome dele, que o camisa 1 do Avaí fez questão de citar em coletiva, é Marcos Cardoso, o Marcão, que hoje trabalha no AL Lakhwiya Sport Club, do Catar.

Em entrevista ao clicEsportes, Marcão falou sobre o seu pupilo e como evitou que o atleta fosse dispensado do clube após um ato de indisciplina. O preparador de goleiros também trabalhou com Alex, que está defendendo a Seleção Brasileira Sub-19.

PapoFC: O Renan reconheceu que você apostou nele. Como você o preparou para ele chegar na Seleção Brasileira?
Marcos Cardoso: Preparei o Renan para a categoria profissional, mas sempre sonhando em uma seleção, até mesmo de base. Nós conversamos muito, mas foi uma surpresa na seleção principal. Fico contente e feliz por ele reconhecer o meu trabalho e ter acreditado.

PapoFC: Já conseguiu falar com o Renan?
Marcos Cardoso: Temos mantido contato, mas devido a esta correria ainda não. Deixa baixar esta euforia para podermos conversar melhor. Primeiro é curtir com os familiares este momento dele.


PapoFC: Qual qualidade do Renan o diferencia?
Marcos Cardoso: A humildade. Jamais esquecendo sua existência e a dedicação no que faz. Ter trabalhado com o Renan por três anos foi muito gratificante, pois o acompanho desde a categoria juvenil, quando tive a primeira conversa com ele.

PapoFC: Por que ele foi dispensado em 2007? (Renan ficou quatro meses fora do Avaí)
Marcos Cardoso: Foi por um ato de indisciplina que deixamos de lado, como todo atleta faz. Mas em conversa com as pessoas que cuidam de sua carreira, e o Sandro Zunino, diretor da base, tiveram uma reunião e me chamaram pedindo mais uma oportunidade. Eu disse "claro". Ele merecia uma oportunidade e soube que errou. Eu respondi "eu confio em ti, vamos treinar". O Renan não era acreditado que seria hoje o Renan. Eu comprei esta briga por acreditar no potencial dele. Na Copa São Paulo, conversando com o Belmonte, ex-técnico, disse "o Renan vai ser titular e um dos destaques da Copa São Paulo", mesmo cometendo esse ato de indiscplina.

PapoFC: E como foi bancá-lo no clube?
Marcos Cardoso: Conversei antes com o Renan, como sempre, e disse: "minha esposa vai para o hospital ser operada sozinha, voltará para casa sozinha, não verei minha família e vou me dedicar 100% para você. Temos dois caminhos: ou vamos bem na Copa São Paulo e serás valorizado, ou vão me crucificar". Ele respondeu "voltaremos valorizados". O goleiro reserva na época, o Marcos, foi importante nos treinos e nos jogos, sempre motivando o Renan.

PapoFC: Como foi o seu acerto com o time do Catar?
Marcos Cardoso: Foi através do auxiliar do Caior Júnior. Eu tive algumas propostas de clubes do Brasil. Agradecia, mas só sairia para um time maior que o Avaí ou do exterior. Uma vez indo para Ressacada tocou meu telefone e eram dirigentes do clube do Catar. Quando olhei quem estava no banco do ônibus era o Renan (risos). Ele olhou surpreso e me perguntou "tu vai embora?", respondi que sim, que tinha chegado a hora, e ele me desejou sorte e disse que eu merecia.

PapoFC: A questão financeira pesou pra aceitar a proposta?
Marcos Cardoso: Sim. Conversei com o presidente Zunino e ele me perguntou quanto seria o meu salário. Pensou e disse: aceita. A questão financeira pesou muito, mas fico grato ao Avaí. Foi um clube que abriu as portas. Sou muito grato ao Almir Gil, coordenador das categorias de base, e ao ex-técnico do Avaí Belmonte. Foram eles que fizeram o convite para eu trabalhar no Avaí.


PapoFC: Como está sendo a experiência no Catar?
Marcos Cardoso: No Catar temos mais segurança. Podemos deixar o carro ligado, a casa aberta. As leis são severas. Em relação a preço, tudo é mais barato em relação ao Brasil. No futebol não se tem a badaladação de torcedores, cobrança da torcida, mas aqui se tem a melhor estrutura de estádios, centro de treinamento e gramados.

Passei as férias no Brasil. Fui ver Avaí x Vitória e achei o máximo a torcida cobrando. No Catar gostam muito do nosso futebol, tanto que na TV esses dias passou quatro vezes o jogo Avaí x Palmeiras.

Esse material está publicado originalmente no clicEsportes. Saiu um trecho dessa entrevista no DC também.