Eu teria um caminhão de coisas pra falar sobre a vitória do Avaí em cima do Santos, com três gols fantásticos do Caio. Dá para falar do pré-jogo, do churrasco com a turma de Imbituba, com o jogo ao lado do Bruninho, do churros que comi, da minha família inteira no Setor D, da superlotação da Ressacada, de qualquer outra coisa. Mas eu vou falar do torcedor e ex-jogador Marcos Vicente dos Santos, o Marquinhos.

Sei lá o que deve ter passado na cabeça dele na hora que alguém o descobriu no camarote do Setor C. Virou todo mundo pra lá e o canto foi uníssono "Marquinhos, Marquinhos...", ali ele já deve ter percebido que sentiria fortes emoções.

Não esqueci de ver o jogo, mas volta e meia olhava pro camarote pra ver como estava se portando o torcedor/jogador do Santos. Nos gols de Keirrison e Neymar, nenhuma mudança de expressão, assim como nos dois gols de Caio, todos no primeiro tempo.

Na segunda etapa, ao invés de uma mão no rosto, como se estivesse segurando a cabeça, agora, as duas mãos tampavam a boca. Eu estava cronometrando o jogo, e a angústia dele se parecia com a minha e a dos outros 19.998 torcedores do estádio.

Lágrimas

E veio o gol do Caio. Ali, ninguém se aguentou. Nem ele. Caiu no choro, como qualquer outro torcedor que estava do meu lado, e agradeceu. Dos três gols, foi o único em que ele se levantou e fez um sinal de alívio.

Mais uma vez, e parece que não será a última, Marquinhos mostrou o quanto merece ser reverenciado e aclamado como ídolo do Avaí. Deixou de jogar pelo amor e profissionalismo. O Avaí permanece na Série A, mas o importante, ontem, foi saber que o Leão tem um torcedor tão torcedor quanto todos. E a maioria fez a força.