Por Roberto Rivelino Ezequiel

Esta é a minha estreia, e nada melhor do que começar com duas belas vitórias dos times representantes de Santa Catarina na elite do futebol nacional. Avaí e Figueirense mostraram que merecem respeito. Entre os maiores, eles estão entre os menores, mas em se falando de torcida, colocam muitos dos maiores no chão.
Nesta minha primeira rodada, senti na pele as dificuldades enfrentadas pelos comentaristas esportivos, que precisam colocar de lado a paixão por seu time e apresentar a seus seguidores uma visão neutra de um simples apreciador da arte do futebol.

Figueirense não respeita o anfitrião...

Invicto desde a 22ª rodada, quando empatou com o Atlético-GO no Serra Dourada, o Figueirense foi até São Paulo enfrentar o time extremamente abalado do Palmeiras. Cheio de problemas internos, o time do técnico pentacampeão Felipão entrou em campo com o objetivo de frear Wellington Nem e companhia, e mostrar que mesmo estando fora de seus domínios, o Parque Antarctica, quem mandava eram eles.
Um jogo duro, visto com respeito pelo Figueirense e tido como uma possível derrota por muitos comentaristas esportivos. O Furacão do Estreito entrou em campo para jogar no contra-ataque e frustrar mais um anfitrião. Via na velocidade o meio para conquistar mais alguns pontos contra os grandes da Série A.

O Figueirense entrou em campo com o mesmo esquema de sempre, quando visitante, montou um campo defensivo truncado, praticamente impenetrável. Nesta partida, o esquema utilizado foi o 4-4-2, que faz um time forte defensivamente, que é o normal quando se joga fora de casa.
O esquema utilizado pelo técnico Jorginho surtiu muito efeito, e logo aos 10 minutos, após receber bola de Jônatas, Wellington Nem driblou o zagueiro Henrique e fez pose de cruzar para dentro da área, mas chutou alto de pé direito, atingindo o ângulo esquerdo do goleiro Deola.
É comum que o atacante, quando na posição em que se encontrava Wellington Nem, cruze para dentro da área buscando outro jogador de sua equipe. Quando o jogador resolve fugir da lógica e chutar direto ao gol, todo mundo é pego de surpresa e o gol é quase certo. Felicidade ao Figueirense que tem em seu elenco um atacante inteligente e destemido como o Nem.

O primeiro tempo foi inteiro do time da capital catarinense, que desperdiçou três chances claras de gol no decorrer da etapa, sofrendo perigo apenas através de uma falta da entrada da área, cobrada por Valdivia e muito bem defendida pelo goleiro Wilson.
Na segunda etapa, o time catarinense, encontrou bem mais dificuldade. Felipão conversou com seus jogadores no intervalo e reorganizou sua equipe, trazendo um time ofensivo buscando o empate a todo custo. Com muitos chutes ao gol alvinegro, quem se destacou foi o goleiro Wilson, mostrando a todos o motivo de ele ser o titular absoluto do gol do Furacão.
Embora com dificuldades ofensivas, resultantes da mudança no esquema tático do time de São Paulo, que aplicava muita pressão e se defendia muito bem, quem mexeu no placar foi o Figueirense com Júlio César aos 30 minutos. Wellington Nem estava lá, fazendo uma bela jogada pelo lado esquerdo, servindo o camisa 99 que, bem posicionado, apenas chutou contra gol de Deola, que nada pôde fazer. Um belo chute de pé direito fez a vitória do Figueirense ser quase certa, revoltando a torcida do Palmeiras e causando uma sessão de xingamentos ao treinador e aos dirigentes do clube.

O gol de honra dos donos da casa saiu somente nos acréscimos da partida, aos 48 minutos. Quando tudo já parecia terminado, um breve cochilo da zaga alvinegr fez o jogador Ricardo Bueno sobrar sozinho de frente para gol, diminuindo assim a diferença no placar que agora era 2 x 1 para os visitantes. Felizmente, era tarde demais para qualquer reação dos jogadores palmeirenses e o time de Florianópolis somou mais três pontos, chegando aos 47 pontos e se isolando na 8º colocação da Série A do Campeonato Brasileiro.


Finalmente a bola foi bem tratada...

O que pode acontecer aos 41 minutos do segundo tempo?
Robert respondeu a esta pergunta com muita classe, estufando as redes do gol do goleiro Jefferson, jogando um balde de água fria no “Fogão” do Rio, que agora terá mais trabalho para continuar na luta pela liderança do Campeonato Brasileiro. Mas, alguém viu o Robert jogar? A resposta certamente é não, mas ele fez o gol que tirou o Avaí do coma induzido, fazendo-o ainda respirar com auxilio dos aparelhos, mas com a esperança de em breve respirar aliviado.

O jogo começou com um Leão parecido com um gatinho aprendendo a andar. Jogadores desencontrados, muitas falhas individuais, mas com um treinador gritando como nunca à beira do gramado. Gestos, gritos e o time começou a se encontrar. Algumas jogadas perigosas, alguns contra-ataques sofridos, e tudo se encaminhava bem, até que Loco Abreu abriu o placar para os visitantes. Eram 9 minutos da partida, os times ainda se testavam, quando com um chute forte, praticamente indefensável, o Botafogo deu início a um jogo melancólico.
Tomar um gol logo no início da partida era tudo que não poderia acontecer, porém, os jogadores do Avaí estavam concentrados no jogo e não se deixaram abalar pelo gol adversário.A frase da partida de sábado foi: Este Avaí faz coisa. Seis minutos após o placar da Ressacada ser mexido pelos visitantes, Robinho, com um chute raivoso, meteu na rede e levantou a torcida avaiana que temia pelo pior mais uma vez.

O gol tomado balançou o esquema tático do Botafogo, que passou a dar espaço para os donos da casa chegarem ao ataque e Cleverson, aproveitando isto, fez uma pintura em campo. Ele marcou, aos 17 minutos, um belíssimo gol de bicicleta, que merece ser gravado em um quadro e colocado no museu do clube, como um dos mais belos gols do campeonato nacional de 2011.
Empatar com um time grande já é bom. Vencer é ainda melhor. Melhor ainda é vencer um time grande, de virada e diante da torcida. Estava desenhado o enredo necessário para que Avaí pudesse voltar a buscar a permanência, e assim ficou até o fim do primeiro tempo.

No intervalo, o técnico Caio Junior remodelou seu meio-campo, trazendo a campo uma marcação quase individual que apagou os principais jogadores do Avaí, impedindo que a bola chegasse até William e Robinho. Toda esta restruturação do meio acabou permitindo a aproximação do segundo gol ao Botafogo, e logo aos 17 minutos da etapa final a torcida avaiana foi silenciada pela cabeça de Renato, que colocou de maneira cruel a sensação de que estava chegando o fim do sonho. Um gol triste, narrado sem graça, que testou o coração na nação Azurra.
Faltavam 28 minutos, e algo precisava ser feito. Toninho Cecilio começou a pensar e retirou o autor do segundo gol. Cleverson deu lugar àquele que seria o responsável por manter o sonho. Robert entrou em campo entre vaias direcionadas ao técnico avaiano.

Nestes mesmos 28 minutos, além de Robert, outro jogador se destacou no elenco do Leão. Este foi o goleiro Felipe, que realizou uma das melhores partidas de sua carreira, fechando o gol avaiano, permitindo que, mesmo com a pressão sofrida durante todo o decorrer da segunda etapa, pelo menos um pontinho seria somado, mostrando que uma batalha só se perde no fim.
Com a bela apresentação do goleiro Felipe, o time começou a se arriscar mais, indo para o ataque mas sofrendo muito com a marcação. Aos 37 minutos o jogo mudou de rumo com a expulsão de Lucas, do Botafogo. Ter um homem a mais era tudo que o time do Avaí precisava para chegar ao gol adversário.

Faltavam 8 minutos até o apito final, todos estavam desgastados pelo duelo, mas um era recém-chegado ao campo e estava com fôlego para tentar mudar este fim. Ele o fez! Robert (com um nome desse o cara merece respeito), aos 41, desenhou a felicidade das arquibancadas e mostrou que ainda há esperança.
A batalha ilhoa terminou com uma bela reação do Avaí, que empolgou seus jogadores e colocou mais esperança em seus torcedores. Com 29 pontos, ainda é possível lutar pela permanência, que poderá ocorrer em duas partidas, contando com o auxílio dos adversários.

A união...

A imagem do jogo foi a união que a equipe demonstrou no final da partida, quando foram até o centro, e em um grande abraço, comemoraram a vitória diante da torcida.

Força Leão!

Próxima Rodada

Na próxima rodada, novamente teremos jornada dupla com o Avaí indo a São Paulo enfrentar o Corinthians e o Figueirense recebendo o Bahia, às 16h.

Crédito de foto
Foto de Mafalda Press e site oficial do Avaí